Blindagem de informações: Cinco ações fundamentais dos programas “Conheça” contra ataques bilionários
No cenário atual de cibersegurança e combate a fraudes, os programas “Conheça” — como Conheça seu Cliente (KYC), seu Fornecedor (KYS) e seu Funcionário (KYE) — tornam-se essenciais para proteger informações críticas. No webinar “5 Ações dos Programas Conheça que blindam informações críticas e podem frustrar ataques bilionários”, promovido pelo IPLD, , os especialistas Felipe Américo, sócio do Beno Brandão Advogados e membro do IBDRE, e Luiz Paulo (Lupa) Bittencourt, Head of Institutional Security do Banco do Brasil, com moderação de Marco Aurélio Mansur, Especialista em Gestão de Riscos de Terceiros, discutiram as estratégias que devem ser adotadas para proteger dados, coibir ataques financeiros bilionários e combater a transição do crime da esfera tradicional para a cibernética.
A importância da blindagem preventiva
Segundo Luiz Paulo Bittencourt, a blindagem de informações é um processo dinâmico e contínuo. Ele exemplificou com a experiência do Banco do Brasil, que, após o assalto ao Banco Central há 20 anos, assumiu a responsabilidade pela guarda de numerário, utilizando diversas tecnologias para prevenir roubos de montantes expressivos. A prevenção, no entanto, não se limita ao momento do crime, mas deve acontecer antes, dificultando não apenas a prática delituosa, mas também a ocultação das fraudes decorrentes desse cenário.
Monitoramento constante e escalabilidade
Outro ponto crucial destacado foi a escalabilidade das operações de controle e segurança. Com o crescimento do volume de dados e a complexidade das relações comerciais, não é mais possível contar com um controle único da informação. “Conhecer ontem não significa conhecer hoje”, afirmou Lupa, enfatizando a necessidade de monitoramento constante. Para ele, é fundamental adotar uma Abordagem Baseada em Risco (ABR), que considere as mudanças nas relações societárias, o comportamento interno dos funcionários — incluindo o risco de cooptação — e a integração de ferramentas tecnológicas robustas para lidar com perfis de risco em constante evolução.
O papel da blockchain no rastreamento de crimes
Felipe Américo reforçou que, embora a blockchain seja uma tecnologia de informação pública, é essencial possuir expertise para interpretar seus dados. Comparando o emblemático assalto ao Banco Central com os crimes atuais, Américo destacou a dificuldade expressiva de rastrear e prevenir as novas modalidades. Em 2024, o COAF registrou um aumento de 14% nos Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs), totalizando 7,5 milhões de comunicações suspeitas. Para o especialista, isso demonstra a transição de crimes físicos para operações híbridas e digitais, muitas vezes potencializadas por deepfakes, empresas falsas e estruturas que operam de forma transnacional.
Ações essenciais
Entre os pontos abordados no debate, destacam-se cinco ações essenciais que fortalecem os programas “Conheça”:
- Due Diligence reforçada e contínua, especialmente em cenários de crimes cibernéticos e lavagem de dinheiro.
- Monitoramento proativo de alterações societárias e comportamentais de parceiros e clientes.
- Integração tecnológica para rastreamento de ativos digitais, como em blockchains, ainda que públicas.
- Compreensão detalhada dos arranjos e beneficiários finais em sistemas como o Banking as a Service (BaaS).
- Gestão de consequências, especialmente a persecução penal efetiva e o bloqueio de ativos, fundamentais para desestimular reincidências.
Compreende-se, portanto, que a proteção de informações críticas não é um desafio estático. Ela demanda uma combinação de tecnologia, expertise humana, segurança integrada e aplicação rigorosa das normativas vigentes. Os programas “Conheça” incorporam esses princípios para construir uma malha de blindagem que, quando bem executada, pode frustrar até mesmo os ataques financeiros mais audaciosos.